
Primeira madrugada do ano,
O frio entra pelo decote exagerado da minha blusa -
Tentativa muda de fazer com que você me queira.
Sento do teu lado. Os pés fora das sandálias.
Enrosco-os nos teus, como que se por confundir nossos pés
Fundiriamos também os nossos corpos,
Queimando assim esse desejo ardente
Que custa a se consumir apenas por olhares.
Ao recostar minha cabeça em teu ombro
Sinto a delicada mistura
Do teu perfume, que tanto me põe anestesiada, com
Um leve cheiro de Conhaque - Marca inconfundível de
Convívio social e coragem, sem saber ainda em que sentido, de te
Acariciar os cabelos que eu tanto gosto (...)
Minhas mãos já não se prendem, passeam livres pelo teu peito,
E tuas pernas...
Toco levemente, com a ponta dos dedos, teus contornos...
Teu nariz, teus lábios ( que eu tanto queria colados nos meus),
(...)
No entanto, agora, só aspiro o cheiro forte da tinta no papel...
Ai! Se ainda eu te tivesse aqui...

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