Sunday, January 01, 2006

Primeiro de Janeiro de 2006



Primeira madrugada do ano,

O frio entra pelo decote exagerado da minha blusa -

Tentativa muda de fazer com que você me queira.

Sento do teu lado. Os pés fora das sandálias.

Enrosco-os nos teus, como que se por confundir nossos pés

Fundiriamos também os nossos corpos,

Queimando assim esse desejo ardente

Que custa a se consumir apenas por olhares.

Ao recostar minha cabeça em teu ombro

Sinto a delicada mistura

Do teu perfume, que tanto me põe anestesiada, com

Um leve cheiro de Conhaque - Marca inconfundível de

Convívio social e coragem, sem saber ainda em que sentido, de te

Acariciar os cabelos que eu tanto gosto (...)

Minhas mãos já não se prendem, passeam livres pelo teu peito,

E tuas pernas...

Toco levemente, com a ponta dos dedos, teus contornos...

Teu nariz, teus lábios ( que eu tanto queria colados nos meus),

(...)

No entanto, agora, só aspiro o cheiro forte da tinta no papel...

Ai! Se ainda eu te tivesse aqui...

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